Parte II
No Correio da Manhã-Carolina Salgado: Pinto da Costa foi o mandante
Carolina Salgado lança amanhã livro polémico em que acusa o presidente do FC Porto de ter mandado agredir deputado.
Correio da Manhã – Vai lançar o seu livro amanhã [Fórum Almada, às 15h00, D. Quixote]. O efeito surpresa e a antecipação é para evitar providências cautelares?
Carolina Salgado – Admito isso, sim, que o lançamento antecipado, digamos assim, tenha surpreendido muito boa gente, porventura todos aqueles que, por razões várias, desconfiaram da existência deste livro. Mas ele aí está
– Por que resolveu escrever um livro?
– A revolta perante as tentativas persistentes de achincalhar o meu nome na praça pública. Refiro-me obviamente não só ao Jorge Nuno [Pinto da Costa] mas também a todos os que com ele pactuaram e continuam a pactuar. Não tenho o poder que Pinto da Costa tem nos media e só me podia defender, a mim e aos meus filhos, escrevendo um livro e correndo todos os riscos sozinha, contando a história verdadeira.
– Nada de oportunismo ou vingança?
– Não escrevi por vingança. Tenho o direito a viver em paz e sem medo e quero encerrar este capítulo da minha vida. Jamais escreveria este livro se a nossa relação tivesse terminado de uma forma normal e civilizada. Depois de termos vivido seis anos em comum, não posso admitir que venha dizer, como fez, ‘maldita a hora em que entrei no Calor da Noite’.
– Choca-a?
– Choca, ofende e, mais grave ainda, tem o propósito de denegrir e humilhar a minha imagem. Tenho filhos e família. Lá diz o ditado, ‘quem cala consente’, e eu não consinto.
– Ficou muito por dizer neste livro?
– Sim, mas teve mesmo de ser assim
– Por aconselhamento jurídico?
– Também. Ninguém gosta de andar a caminho dos tribunais e, infelizmente, muito do que sei não poderá nunca ser provado. Eram coisas que ficavam em circuito fechado
– Com as notícias sobre o livro falou-se em pressões e até ameaças. Confirma?
– Sim, mas não vou entrar em pormenores.
– Da parte de quem?
– Não quero responder, até porque normalmente os cobardes escondem-se atrás do anonimato.
– Que objectivos tem com esta publicação?
– Além de encerrar um ciclo da minha vida, espero que sirva para que conheçam mais a pessoa que sou, com sentimentos, humana.
– Trata-se de um projecto rentável?
– Só será rentável se as vendas o permitirem. Mas as motivações que me levaram a abraçar este projecto não foram financeiras.
– Faz acusações a pessoas com grande poder e influência no futebol. Porquê agora?
– Nunca é tarde para se saber a verdade. Estou empenhada em contar a minha parte da história. As pessoas que julguem, porque o povo sabe interpretar os factos. As pessoas não são parvas, nem têm memória curta.
– Este livro é um teste à sua credibilidade?
– Sou a única pessoa credível para falar da minha vida. Não a pinto de cor-de-rosa e assumo todos os meus passos.
– O mundo do futebol é assim tão cheio de jogadas de bastidores e promiscuidade?
– De forma clara. Vi muita coisa, mas, para já, é melhor ficarmos por aqui.
– Revelou que Pinto da Costa lhe ‘encomendou’ um serviço contra o deputado Ricardo Bexiga, eleito por Gondomar.
– Confirmo que estive envolvida, mas não é verdade que tenha dado a ordem. Fui apenas o veículo de transmissão de uma ordem superior. Pinto da Costa foi o mandante.
– Pode provar?
– Parece-me óbvio, até porque não era eu a vigiada pela Polícia, nem estava envolvida no ‘Apito Dourado’. Se fiz o que fiz foi por ordem do homem que amava. Para lhe fazer a vontade
– Poderia sempre recusar...
– Não!
– Quantos são e como estão os processos em Tribunal entre si e Pinto da Costa?
– Tenho três enquanto arguida e estão todos em andamento. Já os que eu movi contra ele sinto que não correm à mesma velocidade. Já chegou a perder-se uma procuração minha. Enfim
– Foi mesmo agredida?
– Depois da separação ele fez-me uma proposta indecente: para escolher um negócio e casa que pagava tudo. Que nada me faltaria. Mas recusei ser a amante. Por isso começou a guerra. As agressões foram feitas por ele e mais dois, o Nuno Santos, um alegado segurança que se ofendeu porque o considero capanga, e o motorista Afonso. Foram lá para me agredir, levar as obras de arte e tudo o que havia de valor. Foram cenas dignas de filmes de gangsters .
– Afinal quem paga o colégio dos seus filhos?
– Eu e só eu, desde sempre.
– Já não trabalha na imobiliária?
– Deixou de me pagar desde Março, apesar de fazer os descontos, porque cheguei a receber recibos em casa. Depois despedi-me por justa causa.
– Os seus filhos, com nove e onze anos, aceitaram a separação?
– Não perdoo a Pinto da Costa o trauma que provocou nos meus filhos. Vivemos, pós-separação, momentos muito complicados. Ainda hoje, a Carolina, que desde os dois anos chamava pai ao Jorge Nuno, continua a ser seguida por uma psicóloga.
– Viu-se envolvida numa história que meteu também Mourinho e os Superdragões
– Mais uma invenção. Quem dá as ordens é sempre a mesma pessoa, o presidente. Esse rumor serviu de arma de arremesso para me envolverem numa guerra que não era minha.
– Lourenço Pinto aconselha e dá a estratégia jurídica a Pinto da Costa?
– Basta recordar a súbita viagem para Espanha de Jorge Nuno no dia em que deveria ser ouvido no Tribunal. Fomos avisados.
– Teve mesmo casamento marcado?
– Era em Março, no Buçaco, havia padrinhos escolhidos
– Lourenço Pinto e a dra. Ermelinda, sua esposa, que é juíza – e até padre para benzer as alianças. Já tinha aliança de noivado e fui eu quem escolheu a casa de Miramar, que penso estar agora à venda. Decidi todas as alterações. O quarto, por exemplo, era todo em vidro.
– A sua ligação à noite já era conhecida?
– O livro é esclarecedor quanto a essa etapa da minha vida. Ao contrário de outros que porventura estão com o coração nas mãos, eu nada tenho a esconder. Orgulho-me do meu passado.
O QUE DIZ O LIVRO: Nada tem de promíscuo trabalhar em barres como o Calor da Noite. Promiscuidade é o que existe no mundo do futebol, onde é moda, fica bem e dá status ter relações extraconjugais e quase todos as têm.Certa noite, ao despedir-se de mim, não me deu um beijo na cara, como era usual, mas um beijo na boca [...] estava completamente apaixonada [...]Demorei uma eternidade na casa de banho a tentar evitar o inevitável [...] Ele já me esperava, pacientemente, na cama [...] E vivi uma linda e inesquecível noite de amor.Confessou-me que tinha encetado uma relação com a jornalista Maria Elisa [...] que já terminara [...] devido ao consumismo extremo de que ela padecia. Tendo problemas de flatulência [...] de vez em quando descuidava-se [...] em cerimónias oficiais, levando-me a acender, de imediato, um cigarro para disfarçar o odor.Cortava-lhe as unhas dos pés e aparava-lhes os pêlos das orelhas.O Jorge Nuno alterou-se com o senhor Scolari ao verificar que este não cederia jamais às suas vontades. Sempre que [...] o Jorge Nuno achava que o árbitro tinha prejudicado o FCP, ligava ao senhor José António Pinto de Sousa, [...] começando por manifestar a sua indignação [...] mas acabando sempre por marcar um jantar para fazer as pazes. Os árbitros Martins dos Santos e Augusto Duarte, entre outros, eram visitas da casa. Eram levados pelo empresário António Araújo, bebiam café e comiam chocolatinhos. O Araújo funcionava como uma ponte entre o Jorge Nuno, o Reinaldo e os árbitros, disponibilizando-lhes simpatias, tais como raparigas e outros bens. Se o Jorge Nuno ficasse detido, contava com o apoio dos Super Dragões para o tirarem lá de dentro. Dizia-me [...] que era preciso dar uma lição ao doutor Ricardo Bexiga [...] Prontifiquei-me a tratar do assunto. O serviço custava dez mil euros.Mensagens particulares reveladas por Carolina